População de Pontal do Sul se preocupa com nova forma de poluição detectada no litoral do Paraná

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Estudo da UFPR e da USP encontra 749 partículas plásticas em praias de Pontal do Sul, Ilha do Mel e Superagui, revelando novo tipo de contaminação marinha no Brasil

A comunidade de Pontal do Sul, em Pontal do Paraná, está em alerta após pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade de São Paulo (USP) identificarem, pela primeira vez, a presença de biomídias plásticas nas praias do litoral paranaense. O achado, publicado na revista científica Ocean and Coastal Research, aponta um tipo inédito de poluição marinha no país.

Durante o monitoramento realizado em 14 praias da região, foram encontradas 749 biomídias — pequenos discos de plástico utilizados em estações de tratamento de esgoto. O material foi detectado em 11 localidades, com destaque para as praias de Pontal do Paraná, que apresentaram as maiores concentrações. Os resíduos também foram encontrados em áreas de proteção ambiental, como a Ilha do Mel e a Ilha do Superagui, ambas unidades de conservação reconhecidas pela sua biodiversidade.

As biomídias têm formato cilíndrico ou de disco e servem para fixar microrganismos responsáveis pela decomposição de matéria orgânica no tratamento biológico de esgoto. Porém, quando escapam dos sistemas, são levadas por rios até o mar, onde passam a se comportar como microplásticos, podendo ser ingeridas por peixes, aves e outros organismos marinhos.

“A descoberta mostra que esse tipo de poluente já está presente em ambientes naturais brasileiros e precisa ser melhor monitorado”, alertam os autores do estudo.

Moradores e ambientalistas da região manifestaram preocupação com os impactos dessa nova forma de poluição, especialmente pelo potencial risco à fauna marinha e ao turismo local. “É alarmante saber que algo tão pequeno pode causar tantos danos e ainda passar despercebido”, comenta uma moradora de Pontal do Sul.

Os pesquisadores ressaltam a necessidade de melhorar o controle operacional das estações de tratamento de esgoto e adotar medidas preventivas que evitem o vazamento dessas partículas. A presença das biomídias, segundo eles, acende um sinal de alerta sobre novas fontes de poluição plástica ainda pouco estudadas, mas com alto potencial de afetar a saúde dos ecossistemas costeiros e a qualidade de vida das populações litorâneas.

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