O beijo que ninguém viu: a ponte sai do papel, mas os convites ficaram na gaveta

Gostou deste conteúdo? Compartilhe

Facebook
WhatsApp
Imprimir
Email


Com pressa eleitoral e plateia seletiva, o “beijo da ponte” celebrou a obra — mas deixou políticos com azia e motoristas ainda sem passagem.

O tão celebrado “beijo da ponte” — aquele momento simbólico em que as duas pontas da futura Ponte de Guaratuba finalmente se encontram — aconteceu na última sexta-feira. Foi o capítulo final da montagem do trecho estaiado e, claro, um evento cuidadosamente enquadrado como mais um marco da obra queridinha do governador Ratinho Junior.

A ponte, que está prevista na Constituição do Paraná há décadas e já foi promessa de praticamente todo governante que passou pelo Palácio Iguaçu, finalmente está saindo do papel. Agora, a narrativa oficial é de que Ratinho foi quem resolveu o problema histórico — depois de enfrentar resistência, processos na Justiça e algumas tentativas de ex-governadores de também reivindicar uma pontinha do mérito.

Mas se o “beijo da ponte” foi romântico para alguns, para boa parte da classe política teve gosto de limão. Deputados estaduais, federais e até prefeitos do Litoral descobriram que o evento era restrito. Convite? Para muitos, só se fosse por transmissão nas redes sociais.

No encontro simbólico estavam apenas Ratinho Junior, o secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, e o diretor-presidente do DER, Fernando Furiatti. Os prefeitos de Guaratuba, Mauricio Lense, e de Matinhos, Eduardo Dalmora, até apareceram — mas com aquele famoso convite de última hora, estilo “se der tempo, passa lá”.

Já os parlamentares que juravam ter cadeira cativa no evento, principalmente os que têm base eleitoral nas duas cidades, ficaram só na expectativa. E na reclamação. Em pleno ano eleitoral, não ser lembrado numa cerimônia dessas é quase uma afronta política.

O curioso é que, durante toda a obra, não faltou político descendo a Serra do Mar para gravar vídeo, fazer selfie com capacete e postar nas redes sociais como se tivesse carregado saco de cimento no canteiro. Muitos esperavam ao menos um convite para o grande momento. Não veio.

Primeiro a inauguração, depois a utilidade

Enquanto isso, a obra segue em ritmo acelerado. Não apenas por questões de engenharia, mas também para coincidir com o calendário eleitoral.

O plano no Palácio Iguaçu é inaugurar a ponte até 4 de abril — data limite para desincompatibilização de Ratinho Junior caso ele decida disputar as eleições de outubro.

Segundo fontes próximas à obra, a corrida contra o relógio deve dar resultado: a ponte provavelmente será inaugurada até essa data. O detalhe é que… ela ainda não estará pronta para receber carros.

Isso porque as obras de acesso, tanto pelo lado de Matinhos quanto pelo de Guaratuba, devem ficar prontas só depois. Ou seja: primeiro vem a inauguração política, com discurso, foto e fita cortada. O tráfego de veículos fica para uma segunda inauguração, semanas depois — provavelmente com bem menos pompa e, quem sabe, com mais convidados.

No fim das contas, a ponte já ganhou seu beijo histórico. Falta apenas liberar o namoro com os carros.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *