A guerra comercial entre China e Estados Unidos avança com novas tarifas, mas quem paga a maior parte da conta são os trabalhadores e consumidores comuns — dentro e fora das duas potências.
Nesta sexta-feira, a China anunciou o aumento das tarifas sobre produtos norte-americanos, que saltarão de 84% para 125% a partir deste sábado. O gesto marca mais um capítulo na escalada da guerra comercial entre Pequim e Washington, uma disputa que parece cada vez mais longe do fim — e cujas consequências ultrapassam em muito as fronteiras desses dois países.
Os números impressionam. As tarifas totais dos Estados Unidos sobre produtos chineses, segundo o próprio presidente Donald Trump, já chegam a 145%. Ao comentar as medidas chinesas, Trump afirmou que ainda havia tarifas de 20% anunciadas em fevereiro e março, que não tinham sido contabilizadas nas rodadas mais recentes. O resultado disso? Um ambiente global de negócios cada vez mais tenso, incerto e volátil.
Essa disputa, travada com cifras e declarações inflamadas, pode parecer um embate entre dois pesos-pesados em uma arena diplomática — mas quem mais perde com ela não são os próprios contendores. O impacto é mais visível no agricultor americano que já não consegue exportar sua soja, no consumidor chinês que paga mais por produtos básicos, e nas cadeias globais de produção que dependem da fluidez entre as duas maiores economias do mundo.
Além disso, o efeito cascata já se espalha. Mercados financeiros reagem com nervosismo a cada novo anúncio. Investidores recuam. Países emergentes sofrem com a instabilidade cambial. E empresas em todo o planeta se veem obrigadas a recalcular rotas, rever contratos e congelar investimentos.
A retórica do confronto se mostra ineficaz. Fala-se em soberania e força, mas pouco se diz sobre cooperação e equilíbrio. O jogo de tarifas pode render ganhos políticos de curto prazo, mas a conta econômica — mais cedo ou mais tarde — chegará para todos.
Na prática, a guerra comercial entre China e Estados Unidos é uma briga em que o mundo inteiro paga a conta. E, como sempre, os mais vulneráveis sentem primeiro o impacto do tombo.