Temporada de captura do caranguejo-uçá reabre no Paraná com regras rigorosas e impacto econômico para comunidades litorâneas

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Após o fim do defeso, pescadores retomam a atividade nesta segunda (1º), mas somente com coleta artesanal e restrições para garantir a preservação da espécie.


Temporada de captura do caranguejo-uçá começa com fim do defeso e regras reforçadas

A temporada de captura do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) para pescadores e comerciantes começa nesta segunda-feira (1º), marcando o fim do período de defeso da espécie no Paraná. A atividade, permitida até 14 de março, volta a ser proibida entre 15 de março e 30 de novembro, medida que visa garantir a reprodução natural e a continuidade da espécie.

A autorização é regulamentada pelo Instituto Água e Terra (IAT), conforme a Portaria do IAP nº 180/2002. Apesar da liberação, o órgão reforça que a captura deve seguir regras específicas. Apenas machos com mais de 7 centímetros de carapaça podem ser coletados — limite superior ao estabelecido pela legislação federal do Ibama.

A coleta também deve ser exclusivamente artesanal, feita com as mãos. Ferramentas cortantes, produtos químicos, armadilhas como laços ou redes, ou qualquer método que cause danos aos animais ou ao ambiente são proibidos. O uso indevido pode resultar em enquadramento na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998 e Decreto nº 6.514/2008). As multas variam de R$ 1,2 mil a R$ 50 mil, com acréscimo de R$ 20 por quilo do animal apreendido.

O caranguejo-uçá, presente em toda a costa brasileira, exerce papel vital no equilíbrio dos manguezais, contribuindo para a ciclagem de nutrientes e preservação desses ecossistemas.

Relevância econômica e cultural

Segundo Rafael Galvão da Silva, coordenador do Setor de Fauna do IAT no Litoral, o período de defeso é fundamental para garantir a reprodução da espécie e, consequentemente, a atividade econômica das comunidades que dependem da captura.

“Vale lembrar que o caranguejo manguezal tem uma importância muito grande para o Litoral paranaense, sendo ele um elo econômico, cultural e ambiental do Estado. Diversas comunidades dependem desse animal economicamente durante esse período do ano, por isso a temporada de captura artesanal da espécie”, afirmou.

Em 2024, a pesca de caranguejo movimentou cerca de R$ 9,8 milhões no Paraná, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab). Guaraqueçaba liderou a produção, com 37,6%, seguida por Guaratuba (18,6%), Paranaguá (16,6%), Antonina (15,5%), Pontal do Paraná (11%) e Matinhos (0,5%).

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