Ação ocorre após Moraes determinar fim dos recursos; penas chegam a 17 anos e dois condenados seguem foragidos no exterior
O Exército Brasileiro prendeu, nesta sexta-feira (10), três militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação no núcleo 4 da trama golpista. A ordem foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, que decidiu que não cabem mais recursos — ou seja, os condenados agora precisam começar a cumprir suas penas.
Os militares detidos são o major da reserva Ângelo Denicoli, preso no Espírito Santo, além do subtenente Giancarlo Rodrigues e do tenente-coronel Guilherme Almeida, ambos custodiados em Brasília. Eles estavam em prisão domiciliar desde dezembro, também por decisão de Moraes, e agora passam a cumprir penas que variam de 13 a 17 anos de prisão em regime fechado.
De acordo com a investigação, conduzida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo atuava na disseminação de notícias falsas com o objetivo de criar instabilidade institucional e favorecer uma tentativa de golpe de Estado após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.
As investigações também apontam que houve uso indevido de estruturas do Estado, como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para monitorar adversários políticos e fortalecer a narrativa golpista. O objetivo era enfraquecer instituições democráticas e abrir caminho para uma ruptura institucional.
Ao analisar o caso, Moraes entendeu que os últimos recursos apresentados pelas defesas eram apenas tentativas de adiar o cumprimento das penas. Por isso, determinou o início imediato das prisões. Como os condenados são militares, eles cumprem pena sob responsabilidade do próprio Exército, em unidades militares.
Além dos três presos, outros dois condenados estão foragidos. Um deles é o coronel Reginaldo Abreu, que está nos Estados Unidos e pediu asilo político. O outro é Carlos César Moretzsohn Rocha, que estaria no Reino Unido. Já um quarto envolvido, o policial federal Marcelo Bormevet, está preso desde 2024.
As condenações do núcleo 4 foram proferidas pelo STF em outubro do ano passado e incluem crimes graves contra a democracia, como tentativa de golpe de Estado e tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito. Esses crimes envolvem ações para desrespeitar a Constituição e impedir o funcionamento normal das instituições do país.
A prisão dos envolvidos é mais um passo no processo de responsabilização de pessoas que tentaram atacar a democracia brasileira. Para especialistas, garantir que essas ações sejam investigadas e punidas é essencial para proteger o direito da população de escolher seus governantes por meio do voto.