Indicação de Sandro Alex gera temor de derrota em massa, expõe racha interno e levanta suspeitas de estratégia para favorecer Sérgio Moro
A maior bancada da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) atravessa um momento de forte tensão e incerteza política. Com 19 cadeiras, o PSD vive um cenário descrito nos bastidores como de “pânico generalizado” após o governador Ratinho Júnior decidir lançar o ex-secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, como seu candidato à sucessão estadual.
Apesar da força numérica, o clima entre os parlamentares é de extrema fragilidade. Internamente, o grupo já ganhou um apelido que traduz o sentimento predominante: “zona da morte”. A projeção feita por integrantes da própria bancada é dura — menos da metade dos deputados deve conseguir se reeleger. A estimativa aponta que apenas nove parlamentares sobreviveriam ao pleito de outubro.
O descontentamento tem origem clara. A escolha de Sandro Alex surpreendeu e desagradou parte significativa do grupo, sobretudo porque nomes considerados mais competitivos foram deixados de lado. Entre eles, o presidente da Alep, Alexandre Curi, e o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, ambos com melhor desempenho em pesquisas de intenção de voto.
Nos corredores da Assembleia, a avaliação predominante vai além da simples insatisfação com o nome escolhido. Deputados governistas, em conversas reservadas, levantam a hipótese de que a candidatura de Sandro Alex cumpra um papel estratégico: o de não ameaçar o favoritismo do senador Sergio Moro, que lidera as pesquisas para o governo do estado.
A leitura interna é de que o movimento repetiria uma lógica já vista anteriormente, com o lançamento de candidaturas sem densidade eleitoral suficiente para disputar protagonismo. Alguns parlamentares classificam essa articulação como um possível “acordo branco”, ainda que sem confirmação oficial.
Outro fator que amplia a apreensão é o histórico recente de Sandro Alex à frente da Secretaria de Infraestrutura e Logística, especialmente na condução da política de pedágios no Paraná — tema que gerou desgaste público e críticas recorrentes. Fora do ambiente político, o desconhecimento do candidato também preocupa. Nas redes sociais, a dificuldade de reconhecimento do nome se traduz até em erros básicos, com variações como “Alessandro Alex” ou questionamentos sobre sua identidade.
Para os deputados estaduais, o impacto é direto. Em eleições proporcionais, o desempenho do candidato ao governo tem efeito determinante sobre a votação da bancada. Quanto mais fraca a cabeça de chapa, menor o chamado “efeito arrasto” — mecanismo que impulsiona candidaturas legislativas.
Com uma bancada numerosa em disputa, o risco é elevado. Um desempenho abaixo do esperado na eleição majoritária pode resultar em perdas expressivas na composição da Assembleia.
O cenário mais temido, no entanto, ainda pode se concretizar. Entre parlamentares do PSD, cresce a suspeita de que o partido possa recuar da candidatura própria até agosto e declarar apoio a Sergio Moro já no primeiro turno. Caso isso ocorra, a avaliação interna é de que o impacto sobre a bancada seria ainda mais severo, aprofundando o risco de uma debandada eleitoral sem precedentes recentes.