Requião Filho se destaca no debate da RPC e ganha protagonismo diante de Moro e Sandro

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Pedetista aproveita confronto entre os adversários, explora contradições políticas e apresenta diferenças em temas como educação, Copel, segurança e saúde

O debate da RPC entre Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD), realizado na noite de terça-feira (29), terminou marcado por ataques, contradições políticas e uma disputa acirrada pela narrativa sobre o futuro do Paraná.

Enquanto Moro e Sandro Alex concentraram boa parte do confronto direto, Requião Filho encontrou espaço para se colocar entre os dois adversários, questionando posições, recuperando declarações anteriores e apresentando propostas próprias.

A atuação do pedetista chamou atenção especialmente pela capacidade de explorar as fragilidades do embate entre os dois adversários. Antes do debate, o jornalista Angelo Rigon, do Maringá News, já havia destacado a oratória de Requião como um dos pontos que poderiam diferenciar sua participação.

O resultado foi um debate em que Requião procurou fugir da condição de mero coadjuvante e assumir o papel de candidato disposto a confrontar tanto o senador Sergio Moro quanto o representante do grupo político ligado ao governo Ratinho Junior.

Moro abre fogo contra Sandro

Sergio Moro iniciou sua participação escolhendo Sandro Alex para o confronto direto. O senador passou a chamá-lo de “Alex” durante o debate e concentrou os primeiros ataques nas alianças políticas da candidatura do PSD.

Moro questionou o fato de o PSD ter Ronaldo Caiado como candidato à Presidência enquanto Sandro Alex declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL).

Também trouxe para o centro da discussão Rafael Greca (MDB), vice de Sandro, tentando associá-lo a posições próximas ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sandro respondeu lembrando que o próprio Moro havia convidado Greca para integrar sua chapa. Na sequência, recuperou o rompimento do senador com Jair Bolsonaro e questionou a mudança de posição política de Moro.

O senador afirmou que as divergências com a família Bolsonaro estavam superadas e reafirmou sua candidatura pelo PL.

A troca acabou produzindo uma das principais contradições do debate: Moro atacava as alianças de Sandro ao mesmo tempo em que precisava justificar sua própria reaproximação com o grupo bolsonarista.

Requião entra no “ringue”

Foi nesse ambiente que Requião Filho encontrou espaço para marcar sua presença.

Ao observar o confronto entre os adversários, o candidato do PDT classificou a disputa como um “ringue divertidíssimo” e passou a explorar as contradições apresentadas pelos dois.

A estratégia permitiu a Requião deslocar o debate das acusações pessoais para questões de políticas públicas, especialmente educação, energia, saúde e proteção às mulheres.

O candidato também procurou estabelecer uma identidade própria, evitando ficar limitado à polarização entre Moro e Sandro.

Escolas cívico-militares viram confronto

Sandro Alex tentou associar Requião à possibilidade de fechamento das escolas cívico-militares.

Requião rejeitou a interpretação e fez uma distinção entre encerrar unidades escolares e modificar o modelo adotado.

“Não tem fechamento de escola, tem mudança de modelo”, afirmou.

A partir daí, o candidato do PDT questionou Sandro sobre currículo e também cobrou explicações sobre o fechamento de turmas noturnas na rede estadual.

Sandro defendeu o modelo cívico-militar e citou o apoio de pais e os resultados educacionais obtidos pelas unidades.

O embate colocou duas concepções diferentes sobre a política educacional estadual no centro da discussão.

Violência contra mulheres coloca propostas diferentes frente a frente

No confronto com Moro, Requião levou o debate para a violência contra as mulheres.

Moro defendeu o encaminhamento de feminicidas para um presídio estadual de segurança máxima.

Requião apresentou uma abordagem diferente, defendendo prevenção, educação e políticas de apoio às mulheres, inclusive condições para que possam trabalhar enquanto seus filhos estejam protegidos.

A discussão evidenciou a diferença entre uma estratégia concentrada na punição dos autores e outra que prioriza medidas preventivas e de proteção social.

Acusação sobre o Tayayá Resort

Moro também acusou Sandro de favorecer a pavimentação de uma estrada de acesso ao Tayayá Resort, empreendimento que o senador associou ao ministro Dias Toffoli.

A afirmação foi utilizada como instrumento de ataque eleitoral durante o debate e não foi apresentada no confronto como comprovação definitiva de favorecimento.

Corrupção e INSS recolocam Bolsonaro no debate

No segundo bloco, Requião recuperou críticas antigas feitas por Moro a Jair Bolsonaro e seus aliados para questionar a coerência do discurso do senador sobre corrupção.

Moro voltou a afirmar que as divergências com os Bolsonaro estavam superadas.

Em seguida, direcionou críticas ao PDT e mencionou Carlos Lupi, presidente nacional da legenda, no contexto das fraudes envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Requião saiu em defesa de Lupi e afirmou que ele não havia sido responsabilizado.

Mais uma vez, o debate nacional entrou na disputa estadual.

Porto de Paranaguá também vira campo de batalha

Sandro Alex levou o confronto para o Porto de Paranaguá e fez críticas a administrações anteriores.

Requião respondeu mencionando apreensões de drogas realizadas na estrutura portuária.

Sandro destacou a atuação conjunta do porto com a Polícia Federal e a Receita Federal no combate ao tráfico.

O confronto serviu para que os candidatos apresentassem versões diferentes sobre segurança, administração pública e resultados obtidos no terminal paranaense.

Copel coloca Moro, Sandro e Requião em posições distintas

A Copel foi outro dos grandes assuntos da noite.

Moro criticou a qualidade dos serviços e defendeu tarifas menores. Requião foi além e questionou a própria privatização da companhia, criticando a mudança de controle e a prioridade atribuída aos acionistas.

Sandro tentou responsabilizar o governo federal pelo aumento da conta de energia.

Os adversários rebateram afirmando que os reajustes são autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a partir de pedidos feitos pela companhia.

Apesar de Moro e Requião criticarem a situação da Copel, suas propostas são diferentes: Moro concentra a cobrança na eficiência e nas tarifas, enquanto Requião questiona a privatização e o modelo de controle da empresa.

Saúde e SUS entram no confronto

Na área da saúde, Sandro sugeriu que Moro continuasse no Senado para atuar pela melhoria da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).

Moro respondeu defendendo sua proposta de um SUS paranaense.

O senador também aproveitou a discussão para cobrar melhorias nos serviços de energia.

Banco Master vira resposta a cobrança sobre obras

Na última rodada de perguntas, Sandro anunciou obras de duplicação de rodovias e pediu a Moro propostas para a região central do Paraná e o Vale do Ribeira.

Moro deslocou a resposta para o Banco Master e para a autorização do CredCesta no Paraná.

Sandro rebateu mencionando Filipe Barros (PL), candidato ao Senado e aliado de Moro.

A sequência deixou em segundo plano o detalhamento das obras inicialmente questionadas e voltou a concentrar o confronto nas alianças e responsabilidades políticas dos candidatos.

Requião encerra confronto cobrando fila de transplantes

Na reta final do debate, Requião questionou Sandro Alex sobre a fila de transplantes.

O candidato do PSD respondeu apresentando hospitais e propostas para o atendimento na área da saúde.

Segundo a cobertura do Blog do Esmael, porém, a resposta não enfrentou especificamente a questão apresentada sobre a fila de transplantes.

Um debate dividido entre dois confrontos

A dinâmica do encontro acabou produzindo dois movimentos distintos.

De um lado, Moro e Sandro protagonizaram os ataques mais duros, principalmente em torno de alianças nacionais, Bolsonaro, Rafael Greca e as posições dos respectivos grupos políticos.

De outro, Requião procurou aproveitar esse confronto para apresentar-se como uma terceira força na disputa, questionando os dois adversários e levando a discussão para políticas públicas.

A cobertura do debate pelo Bem Paraná também destacou que os principais embates ocorreram entre Moro e Sandro, enquanto Requião ironizou a intensidade da disputa ao chamá-la de “ringue divertidíssimo”.

Requião deixa o debate com discurso próprio

Nas considerações finais, Requião reforçou a ideia de coerência política e procurou se apresentar como candidato com posição definida.

Moro reafirmou sua identificação com o bolsonarismo e o discurso de combate à corrupção.

Sandro defendeu a continuidade dos programas estaduais e do modelo administrativo associado ao governo Ratinho Junior, mas voltou a enfrentar questionamentos sobre sua posição no cenário presidencial.

Ao final, Requião conseguiu evitar que o debate se resumisse à disputa entre Moro e Sandro. Sua estratégia foi explorar as contradições dos adversários e, ao mesmo tempo, colocar educação, energia, saúde e proteção às mulheres no centro da sua participação.

O debate da RPC, realizado cinco dias antes do primeiro turno, tornou-se assim um dos principais momentos televisivos da reta final da disputa pelo Governo do Paraná.

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