Vice-prefeita de Matinhos recebe benefício assistencial destinado a idosos carentes enquanto sua família acumula cargos e altos salários
A ligação entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e escândalos de corrupção parece ser uma constante que não falha. O mais recente caso envolve a vice-prefeita de Matinhos, Lígia Bernadete Mesquita Duarte (PL), de 74 anos, que recebe desde setembro de 2020 o Benefício de Prestação Continuada (BPC), um programa federal destinado exclusivamente a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. No entanto, a realidade financeira da vice-prefeita e de sua família contradiz os critérios exigidos para o recebimento do benefício.
Em setembro de 2024, o portal “Matinhos.info” revelou que Lígia Bernadete, na época candidata a vice-prefeita na chapa de Eduardo Dalmora, recebia indevidamente o BPC. O programa é regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e tem como critério de elegibilidade uma renda familiar per capita inferior a um quarto do salário mínimo. No entanto, Lígia é casada com o ex-prefeito Acindino Ricardo Duarte, afastado por improbidade administrativa, e mãe do vereador Márcio da Seda, que recebe um salário superior a R$ 9 mil mensais.
Os repasses do benefício para Lígia Bernadete totalizam R$ 67.774, conforme dados disponíveis no Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União. Esse montante contrasta com a realidade de milhares de brasileiros que, de fato, vivem em condições de extrema pobreza e necessitam urgentemente desse auxílio.
A permissividade com casos como esse reforça o padrão que se repete entre políticos alinhados a Bolsonaro. Enquanto defendem um discurso de combate à corrupção e “tolerância zero” com desvios de conduta, os escândalos de mau uso de recursos públicos e a utilização de benefícios assistenciais de forma indevida se acumulam.
O caso da vice-prefeita de Matinhos deve ser investigado e serve de alerta para a população: é fundamental fiscalizar de perto os políticos e suas alianças, principalmente aqueles que fazem parte de um ciclo vicioso de escândalos e irregularidades. Transparência e responsabilidade são essenciais para impedir que figuras públicas usem o sistema para benefício próprio, enquanto a população realmente necessitada continua à margem.