Boatos de greve, acusações de mentiras, ônibus precários e contrato judicializado agitam o sistema de transporte municipal
Na última segunda-feira (7), rumores de uma possível greve no transporte coletivo de Paranaguá deixaram os usuários apreensivos. A tensão aumentou após a Viação Rocio, responsável pelas linhas municipais, divulgar uma nota pública alegando atraso no pagamento dos salários dos funcionários, devido à suposta falta de repasses da Prefeitura.
A resposta do prefeito Adriano Ramos (Republicanos) veio no dia seguinte, em coletiva de imprensa convocada para esclarecer os fatos. Com declarações contundentes, ele acusou a empresa de enganar a população, prestar um serviço de baixa qualidade e adotar uma postura desleal com o município.
“A empresa soltou uma nota mentirosa, tentando induzir as pessoas ao erro. Disse que a Prefeitura estava devendo três meses. Isso é mentira”, declarou o prefeito, afirmando que o pagamento só não foi feito antes porque a própria empresa atrasou a assinatura do aditivo contratual.
Contrato quebrado e disputa judicial
Adriano relatou que, antes do Carnaval, havia sido firmado um acordo com a Viação Rocio para prorrogação do contrato por mais seis meses, enquanto a Prefeitura preparava um novo processo licitatório. Contudo, em 4 de março, o Executivo foi surpreendido com um mandado de segurança impetrado pela empresa, exigindo judicialmente a renovação contratual, com multa diária de R$ 100 mil — atitude que, segundo o prefeito, quebrou a confiança no acordo.
A liminar foi concedida pelo juiz Eduardo Ressetti Pinheiros Marques Vianna, da Vara da Fazenda Pública de Paranaguá. Como resposta, a Prefeitura decidiu renovar o contrato por apenas três meses, reafirmando o compromisso com a licitação de um novo operador para o sistema.
Adriano ainda apresentou um comprovante de pagamento e garantiu que a dívida foi quitada assim que a documentação foi formalizada. “O contrato só chegou para nós na última sexta (4). E já nesta segunda (7), em menos de 24 horas, efetuamos o pagamento. Nós não somos caloteiros”, afirmou.
Críticas à frota e promessa de renovação
Durante a coletiva, o prefeito também direcionou críticas duras à qualidade do serviço prestado pela Viação Rocio. “Ônibus velhos, apertados, sem ar-condicionado e lotados. Isso não é mais aceitável”, desabafou. Ele acusou a empresa de substituir veículos em bom estado por modelos mais antigos e afirmou que o transporte atual é “indigno”.
Relembrando sua atuação como vereador e relator da Comissão de Transporte, em 2014, Adriano citou que já havia proposto mudanças profundas, incluindo a quebra do monopólio da Viação Rocio. “Na época, a maioria das propostas foi retirada pela antiga Câmara. Hoje temos um Legislativo mais alinhado com os interesses do povo. A mudança vai acontecer”, garantiu.
Fim das regalias: “A farra acabou”
Adriano também estendeu as críticas à concessionária de saneamento da cidade, a Paranaguá Saneamento, e deixou claro que não há mais espaço para acordos que não atendam à população. “A farra acabou. Não vamos sentar à mesa para discutir nada que não seja de interesse da população. Ou melhora o serviço, ou vamos tomar medidas duras”, disparou.
Nova licitação em andamento: transporte com tarifa zero e ônibus modernos
Segundo o prefeito, a Prefeitura já trabalha na elaboração do novo edital para concessão do transporte público. A proposta prevê a manutenção da tarifa zero, mas com melhorias significativas na frota e no atendimento. “Queremos ônibus novos, com ar-condicionado, frota ampliada e atendimento de qualidade. Vamos abrir o mercado para garantir concorrência e um serviço digno para a população”, afirmou.
Adriano reconheceu que o processo licitatório exige tempo e trâmites legais, mas reforçou o compromisso com a transparência e a melhoria do transporte coletivo. “Não é como trocar de camisa. Mas vamos fazer diferente. Esse serviço não será mais uma vergonha para Paranaguá”, finalizou.