Por que a prefeitura asfalta ruas desertas enquanto moradores seguem no barro?

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Munícipes de Pontal do Paraná questionam prioridades em obras de asfalto, pedindo equilíbrio entre o embelezamento para turistas e a valorização das áreas onde vivem e trabalham os que sustentam a cidade.

Em meio a elogios pela revitalização urbana e críticas crescentes sobre as escolhas de onde investir, a Prefeitura de Pontal do Paraná vem enfrentando questionamentos de moradores e trabalhadores locais. O motivo: a pavimentação asfáltica de ruas em regiões praticamente desabitadas, enquanto bairros densamente povoados seguem enfrentando poeira, barro e dificuldade de acesso.

A reportagem visitou diferentes balneários e conversou com moradores que vivem diariamente os desafios da falta de infraestrutura. “Aqui, a gente paga imposto como todo mundo, mas parece que somos esquecidos. Quando chove, ninguém consegue sair de casa sem se encher de barro”, desabafa Maria Aparecida da Silva, moradora há 15 anos no Balneário Canoas. “Enquanto isso, vejo ruas asfaltadas onde não tem uma casa sequer.”

Segundo levantamento preliminar da Associação de Moradores, cerca de 60% das ruas sem asfalto estão em regiões habitadas, enquanto mais de 30% das obras recentes ocorreram em áreas desocupadas ou com baixa densidade populacional.

A prefeitura, por sua vez, destaca que o asfalto em áreas desertas faz parte de um plano estratégico de desenvolvimento urbano e turístico. Em nota oficial, a administração argumenta que “a pavimentação de vias em regiões com potencial turístico é fundamental para preparar o município para receber visitantes e investidores, garantindo infraestrutura adequada e atraente.”

Especialistas, no entanto, apontam para a necessidade de equilíbrio. “É importante sim investir em embelezamento e preparação para o turismo, mas não podemos esquecer da função social do investimento público, que deve priorizar o bem-estar da população local,” explica o urbanista Carlos Menezes. “Infraestrutura básica é um direito, não um luxo.”

A população reconhece os avanços na paisagem urbana e compreende a importância do turismo para a economia local. No entanto, cresce a insatisfação diante do que consideram uma inversão de prioridades. “A cidade precisa ser boa para quem mora e trabalha aqui o ano todo, não só para quem vem passar férias,” afirma João Batista Oliveira, trabalhador do comércio local.

Diante do aumento das críticas, lideranças comunitárias organizam um abaixo-assinado para reivindicar mais transparência nos critérios de escolha das ruas a serem asfaltadas e maior participação popular nas decisões sobre infraestrutura.

O debate está aberto, e a expectativa é que a prefeitura busque maior diálogo com a comunidade para encontrar soluções que atendam tanto às necessidades dos moradores quanto aos interesses de desenvolvimento turístico.

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