Faedes Facciolli alerta para manobras que, segundo ele, desfiguram o partido: “Que PT vai sair das urnas?”
A poucos dias do Processo de Eleições Diretas (PED) do Partido dos Trabalhadores, marcado para este domingo (6), a base do PT em Pontal do Paraná está mergulhada em um ambiente de desconfiança e disputa. O dirigente local Faedes Facciolli fez duras críticas à recente onda de filiações registradas no município e lançou questionamentos sobre os rumos do partido após o pleito interno.
“Estamos vendo um movimento estranho. Ninguém sabe o que vai sair das urnas do PED. Que PT vai restar disso tudo?”, indagou Facciolli em entrevista à reportagem.
A crítica de Faedes vem na esteira do encerramento da Campanha Nacional de Filiação, que trouxe 341 mil novos nomes para os quadros do PT em todo o Brasil entre dezembro e fevereiro. O Paraná foi um dos estados que mais cresceu em números absolutos — e Pontal do Paraná se destacou pela velocidade e volume das adesões.
Mas, para Facciolli, os números não revelam fortalecimento partidário, e sim risco de captura política. “Esse tipo de filiação em massa, organizada de forma súbita, não é orgânica. Isso desfigura o partido como instrumento de luta da classe trabalhadora. É uma operação pragmática para tomar o controle interno, com interesses que pouco têm a ver com o socialismo ou com a militância histórica do PT.”
Segundo ele, o movimento foi articulado por figuras que têm acesso a estruturas de poder e usaram essa posição para influenciar o processo eleitoral interno. “Há algo de muito errado quando vemos pessoas que nunca militaram no PT aparecendo como maioria para decidir os rumos do partido. Não é só disputa, é descaracterização.”

Apesar da crítica contundente, Faedes afirma que o PT tem maturidade para enfrentar crises internas. “O PT sempre foi um partido de conflito e de síntese. O problema é fingir que nada está acontecendo. Não dá. Temos que reagir e recuperar nossas raízes. É preciso dar uma guinada à esquerda, retomar o compromisso com os trabalhadores, com a luta anticapitalista.”
A atual direção do PT de Pontal do Paraná, por outro lado, defende o movimento de filiação. De acordo com os dirigentes, trata-se de um projeto político legítimo, conduzido por lideranças locais com apoio popular.
No contexto estadual, outros municípios do litoral paranaense — como Paranaguá, Matinhos e Guaratuba — também registraram crescimento expressivo no número de filiados, o que pode alterar significativamente a correlação de forças dentro do partido.
O PED 2025 definirá novas direções municipais, estaduais e nacional do partido, além de balizar estratégias para as eleições de 2026. Para muitos petistas históricos, como Facciolli, este será um momento decisivo para o futuro político do partido — e, talvez, para a preservação de sua identidade.
“Se tiver que ser eu a dizer isso, estou dizendo. Não se trata de brigar com petistas. O que estamos vendo é gente de fora tentando usar o partido como trampolim. Isso precisa ser enfrentado, para quem quer um PT verdadeiramente de esquerda em Pontal.” disse o dirigente Facciolli.