Entre canos, churrascos e vistas: o suspense político de Pontal do Paraná – 81ª Sessão de Julgamento 03/11/2025

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O julgamento que pode mudar o rumo da cidade é adiado para 17 de novembro, e o povo segue à espera de Justiça enquanto o prefeito cassado viaja ao exterior

Há crônicas que parecem escritas pelo destino, e outras que o próprio absurdo insiste em redigir. Em Pontal do Paraná, a política tem se revelado um enredo de novela — com direito a vilões, mocinhos improváveis e capítulos adiados por “pedido de vistas”.

Nesta segunda-feira (3), o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em Curitiba, iniciou o julgamento do recurso do prefeito Rudão Gimenes, cassado pela Justiça Eleitoral de Matinhos por compra de votos. Segundo a sentença, o prefeito distribuiu canos de PVC, comida, bebida e até churrasco em troca de apoio político — um banquete regado ao abuso de poder econômico, temperado com o sabor amargo da impunidade.

Mesmo cassado, Rudão segue firme no cargo. E, como quem não deve, mas teme, resolveu viajar ao exterior — devidamente autorizado pela Câmara Municipal, é verdade, mas sem revelar o destino. O ofício, vago e silencioso, alimentou o que o povo mais tem: desconfiança. Afinal, em tempos de descrédito, a falta de transparência é quase uma confissão.

Enquanto o prefeito viaja, o município navega sem rumo. Caso o TRE mantenha a cassação, ele e a vice serão afastados, e a presidência da Câmara — nas mãos da vereadora Elinete (MDB) — assumirá interinamente até novas eleições.

Na sessão desta segunda, após os discursos inflamados dos advogados, o relator votou pela absolvição do prefeito. Mas uma desembargadora pediu vista do processo — adiando o desfecho para o próximo dia 17. Pedido de vista, em linguagem jurídica, é uma pausa para reflexão: o magistrado quer “ver” melhor o caso antes de votar.

Até lá, o povo de Pontal vive na incerteza. A cidade, cansada de promessas e escândalos, espera que a Justiça não se perca nos labirintos da política.

Porque, no fundo, esta não é apenas a história de um julgamento. É o retrato de um tempo em que muitos ainda confundem o poder público com o quintal de casa — e acreditam que churrasco compra consciência.

Entre canos e manobras, o enredo segue aberto. E Pontal do Paraná continua à deriva, esperando que a verdade, enfim, ancore.

 

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