Ato expõe violência cotidiana, cobra ação do poder público e reforça urgência de mobilização coletiva
Mulheres de Pontal do Paraná se reuniram neste domingo (7) em uma marcha marcada pela força e pela indignação diante da escalada de feminicídios que chocou o país nas últimas semanas. A mobilização denunciou a violência diária sofrida por mulheres brasileiras e a omissão das autoridades diante da crise.
Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, cerca de 3,7 milhões de mulheres sofreram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses. Já o Ministério das Mulheres registra 1.180 feminicídios apenas neste ano, além de quase 3 mil atendimentos diários realizados pelo Ligue 180 — números que escancaram a dimensão alarmante da violência de gênero no país.

“Nenhum ato de violência pode passar despercebido. Não podemos continuar enterrando mulheres e ignorando a epidemia que as atinge. Marchamos hoje porque a mobilização coletiva é urgente — não aceitaremos nenhuma mulher a menos”, afirmaram organizadoras do ato.

Ato reúne movimentos sociais, comunidade e homens aliados
A manifestação ocorreu no Balneário de Shangri-lá e contou com a presença de organizações comunitárias, movimentos sociais, partidos políticos e também homens que se posicionaram como aliados na luta contra a violência.
A ausência, porém, acabou chamando atenção: a presidente do Conselho Municipal das Mulheres, Leila do Socorro da Rocha Lopes, que havia confirmado presença, não compareceu — assim como representantes da gestão municipal. A falta de autoridades reforçou a crítica das manifestantes à negligência do poder público.

Mobilização não é “ato político-partidário”, alertam organizadoras
Durante o protesto, ressaltou-se ainda a necessidade de ampliar a compreensão social sobre a gravidade da violência de gênero. Muitas participantes criticaram a visão equivocada — ainda difundida por parte da população e de agentes políticos — de que atos desse tipo seriam “manifestações da esquerda”.
Segundo as organizadoras, trata-se de uma luta pela vida, que diz respeito a toda a sociedade.
“Esse é um ato de importância vital para a segurança coletiva. Não se trata de partidarizar a dor das mulheres, mas de reconhecer que vivemos uma emergência nacional. É preciso conscientização, políticas públicas efetivas e compromisso real de todas as esferas do governo”, afirmaram.
Chamado à ação
A mobilização deste domingo reafirmou que a sociedade civil não está disposta a aceitar a continuidade da violência que mata mulheres diariamente. Em Pontal do Paraná, as ruas se tornaram um espaço de resistência, denúncia e afirmação de direitos.
A mensagem é clara: enquanto a violência persistir, a mobilização continuará — forte, coletiva e inegociável.