Crise em Série: Pré-candidatura de senador desaba em meio a investigações, fugas partidárias e recuos estratégicos

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Reviravoltas no PP e no União Brasil expõem isolamento político e redesenham disputa eleitoral no Paraná

Há quem compare a política a uma feira livre: cada um arma sua barraca, exibe seus produtos e tenta chamar mais atenção que o vizinho. Mas, no caso do senador que já foi juiz celebrado, ministro por breve período e agora pré-candidato sob pressão, a sensação é de que a feira inteira encerrou as atividades antes mesmo do pôr do sol.

Na semana passada, indicávamos aqui o clima crescente de tensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, palco onde a Polícia Federal investiga desde acusações de Toni Garcia até relatos de agressões envolvendo uma magistrada. O que parecia apenas um rastro de fumaça virou um incêndio político difícil de conter.

A fagulha mais recente veio do presidente nacional do Progressistas, Ciro Nogueira, que deixou a reunião partidária desta segunda-feira com o anúncio de que o diretório paranaense do PP não pretende homologar a candidatura do senador ao governo do estado. O comunicado teve o impacto de um rompimento por mensagem de texto: seco, direto e revelador. Na prática, o PP abandonou a embarcação no meio da travessia — e deixou claro que a federação com o União Brasil balança mais que barco de pesca em mar agitado.

Nos bastidores, a movimentação aponta para outro enredo. O governador do Paraná, Ratinho Junior, já teria escolhido um caminho eleitoral distante do senador, aproximando-se do secretário de Cidades, Guto Silva. O acordo em debate inclui até a indicação de um vice pela ala dissidente, numa tentativa de reorganizar a mesa depois que parte das cadeiras foi retirada às pressas.

A debandada não parou por aí. Cerca de 60 prefeitos deixaram PP e União Brasil nos últimos meses. Duas baixas importantes na Câmara também chamaram atenção: os deputados federais Filipe Francischini e Pedro Lupion migraram para outras siglas, com Lupion desembarcando no Republicanos como quem procura abrigo durante uma tempestade repentina.

A leitura interna é direta: manter o senador na disputa seria como prender um saco de pedras ao tornozelo da federação às vésperas de um mergulho profundo. O impacto, afirmam lideranças reservadamente, seria imediato nas chapas proporcionais de 2026 — ano considerado o verdadeiro centro de gravidade da política nacional e estadual.

No fim, resta uma metáfora inevitável: quando o telhado começa a pingar, não adianta culpar o clima. É preciso verificar a estrutura.
E, no caso do senador, tudo indica que a estrutura está rangendo alto demais para que alguém finja não ouvir a tempestade.

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