Audiência pública debate fim da escala 6×1 e mobiliza trabalhadores na Assembleia Legislativa do Paraná

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Sindicalistas, parlamentares e representantes do litoral defendem jornada 5×2 e redução para 40 horas semanais sem redução de salários

Curitiba – Um dos principais debates do cenário nacional sobre direitos trabalhistas foi tema de uma audiência pública realizada na terça-feira (10) no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O encontro discutiu o fim da escala de trabalho 6×1 e a implantação da jornada 5×2, além da redução da carga semanal de 44 para 40 horas. A iniciativa partiu da Liderança da Oposição da Assembleia e reuniu deputados, dirigentes sindicais, representantes de instituições públicas e trabalhadores de diversos setores da economia.

A mobilização também contou com a participação de trabalhadores e lideranças sindicais do litoral do Paraná. Entre eles, o dirigente do PCdoB de Pontal do Paraná, jornalista e sindicalista Paulo Aguilhera, que destacou a importância do debate para os trabalhadores da região litorânea, onde muitos profissionais enfrentam jornadas extensas, principalmente nos setores de comércio, turismo e serviços.

Segundo o deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da oposição na Assembleia Legislativa, a pauta representa uma das discussões mais relevantes para a classe trabalhadora nos últimos anos.

“É o tema mais importante da classe trabalhadora do Brasil nos últimos anos. A redução da jornada de 6 por 1 para 5 por 2 e de 44 para 40 horas semanais impacta diretamente na vida das famílias, na saúde do trabalhador e no tempo que ele tem para estar com a família, para o lazer e para a cultura. A vida vai além do trabalho”, afirmou.

Chiorato também ressaltou que o movimento pretende ampliar o debate por todo o Paraná e pressionar o Congresso Nacional para votar a proposta. Ele destacou ainda que grande parte dos trabalhadores submetidos à escala 6×1 está entre os que recebem os menores salários do país.

Para o deputado Requião Filho (PDT), a luta também envolve a defesa de direitos históricos ameaçados pela precarização das relações de trabalho.

“Precisamos garantir que o trabalhador seja bem remunerado e tenha qualidade de vida. Temos uma grande batalha, que é convencer muitos trabalhadores de que abrir mão de direitos, como férias, aposentadoria e FGTS, pode parecer um benefício imediato, mas no futuro representa um grande prejuízo”, disse.

A deputada Luciana Rafagnin (PT) destacou que a mudança também representa avanço na qualidade de vida, especialmente para as mulheres.

“Estamos falando de mais saúde e de uma vida mais digna, principalmente para as mulheres que enfrentam dupla ou até tripla jornada”, afirmou.

Já o deputado Renato Freitas (PT) ressaltou que conquistas trabalhistas sempre foram resultado de mobilização social.

“As conquistas não serão uma concessão dos poderosos. Elas são fruto da luta dos trabalhadores”, declarou.

Também participaram da audiência os deputados Dr. Antenor (PT), Professor Lemos (PT) e Luiz Claudio Romanelli (PSD), além da deputada federal Lenir de Assis, que defendeu a união das forças sociais em torno da pauta.

“Não podemos aceitar nada menos do que dois dias de descanso semanal”, afirmou.

Movimento histórico

Durante o debate, o presidente da CUT do Paraná, Márcio Kieller, lembrou que a redução da jornada de trabalho é uma reivindicação histórica do movimento sindical brasileiro desde a Constituição de 1988, quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais.

Segundo ele, a defesa das 40 horas semanais sem redução de salário sempre esteve no centro da pauta sindical.

“Estudos e experiências em vários países indicam que a redução da jornada não diminui a produtividade. Pelo contrário, trabalhadores com melhor qualidade de vida produzem mais”, destacou.

O secretário regional da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação e Agricultura (UITA), Geraldo Iglesias, lembrou que a luta pela redução da jornada remonta às mobilizações operárias que deram origem ao Dia do Trabalhador.

“Essa pauta está ligada às lutas por oito horas de trabalho, oito horas de descanso e oito horas para viver. Hoje, especialmente em setores como frigoríficos, a redução da jornada é essencial para proteger a saúde dos trabalhadores”, afirmou.

Saúde e dignidade

Especialistas e representantes de instituições também defenderam a mudança. O professor de Direito do Trabalho da UFPR, Sidney Machado, destacou que cerca de 73% da população brasileira apoia a redução da jornada.

“Os trabalhadores precisam de tempo livre para reorganizar suas vidas. Esse é um debate central para melhorar as condições de trabalho e de vida”, afirmou.

O presidente interino do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná, Célio Waldraff, alertou para o cenário de precarização das relações trabalhistas.

“Estamos vivendo um momento de forte pressão contra os direitos sociais. A agenda pelo fim da escala 6×1 representa um avanço importante”, disse.

O representante do Ministério Público do Trabalho, Fabrício Gomes de Oliveira, reforçou que a jornada de trabalho também é uma questão de saúde.

“Trabalhadores mais cansados se acidentam mais e adoecem mais. Reduzir a jornada é uma questão de civilidade”, afirmou.

Mobilização social

A audiência também reuniu representantes de movimentos sociais, estudantes e diversas entidades sindicais. Entre eles estavam dirigentes da CTB, CUT, UGT, sindicatos da alimentação, construção civil, comércio, bancários, portuários e trabalhadores da indústria.

Lideranças destacaram que a mobilização precisa se ampliar em todo o país para pressionar o Congresso Nacional a votar a proposta que põe fim à escala 6×1 e institui a jornada de trabalho 5×2 com 40 horas semanais.

Representantes do litoral paranaense também defenderam que o debate avance nas cidades da região, onde muitos trabalhadores enfrentam jornadas exaustivas em setores ligados ao turismo, comércio e serviços.

Para o dirigente do PCdoB de Pontal do Paraná, sindicalista e jornalista Paulo Aguilera, a pauta representa uma luta por dignidade.

“Estamos falando de garantir qualidade de vida para quem realmente produz a riqueza do país. O trabalhador precisa de tempo para viver, conviver com a família e participar da sociedade”, afirmou.

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