Projeto apresentado na Assembleia Legislativa busca reconhecer tradição sustentável que gera renda, fortalece a cultura caiçara e aproveita resíduos da pesca
Uma iniciativa apresentada na Assembleia Legislativa do Paraná pelo deputado Anibelli Neto (MDB) propõe reconhecer a produção de couro de peixe desenvolvida em Pontal do Paraná como patrimônio cultural imaterial do Paraná.
O Projeto de Lei 176/2026 pretende registrar oficialmente essa atividade como patrimônio cultural do estado, valorizando uma prática tradicional do município que reúne sustentabilidade, geração de renda e conhecimentos ligados à cultura caiçara. A proposta está em análise nas comissões da Assembleia Legislativa e, após essa etapa, poderá seguir para votação em plenário pelos deputados estaduais.
A técnica utilizada no município aproveita peles de peixe para a produção de peças artesanais e utilitárias, como bolsas, acessórios e até aplicações em estofamentos automotivos. Além de ampliar oportunidades de renda, a atividade também contribui para o aproveitamento consciente de resíduos da cadeia do pescado.
O couro de peixe é considerado um material sustentável e nobre, produzido a partir do reaproveitamento da pele de diferentes espécies. Além da tilápia, também podem ser utilizadas espécies marinhas como linguado, robalo, pescada-amarela, parú e peixe-porquinho.
Após o processo de curtimento, o material se torna resistente, com textura característica e sem odor de peixe. Com essas características, pode ser utilizado na confecção de peças de moda, acessórios como bolsas e carteiras, além de calçados.
Segundo o deputado Anibelli Neto, a atividade desenvolvida em Pontal do Paraná também possui impacto social relevante. A produção artesanal permite a participação de mulheres da comunidade, ampliando as fontes de renda e criando novas oportunidades de trabalho.
A presidente da Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná, Ana Maria de Oliveira Ferreira de Almeida, destacou a importância do reconhecimento. Segundo ela, o registro como patrimônio cultural imaterial representa mais uma confirmação do papel do município como centro produtor desse material e do trabalho coletivo realizado ao longo dos anos por diversas pessoas da comunidade.