Definição ocorreu às vésperas da convenção e envolveu articulações de grupos ligados ao governo estadual e ao senador Sergio Moro
A escolha do ex-secretário estadual da Saúde Michele Caputo (Solidariedade) como candidato a vice-governador na chapa de Requião Filho (PDT) foi definida nos momentos que antecederam a convenção estadual, após uma intensa disputa política nos bastidores.
A definição ocorreu em meio a uma articulação que envolveu o candidato pedetista, dirigentes da Federação Renovação Solidária e grupos políticos ligados ao Palácio Iguaçu e ao senador Sergio Moro (PL).
A principal resistência à indicação de Caputo teria partido do presidente estadual do Partido Renovação Democrática (PRD), Alfredo Kaefer, integrante da Federação Renovação Solidária, formada por Solidariedade e PRD.
Enquanto centenas de militantes participavam da convenção da Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, na Sociedade Thalia, em Curitiba, dirigentes da Renovação Solidária realizavam uma reunião reservada para decidir os rumos da composição da chapa de oposição ao governo estadual.
Segundo fontes ouvidas pelo Blog do Esmael, aliados do governador Ratinho Junior (PSD) e interlocutores próximos de Sergio Moro atuaram até os minutos finais para tentar reduzir o apoio a Requião Filho e impedir a indicação de Michele Caputo.
A articulação, no entanto, não conseguiu impedir o acordo.
Requião Filho obteve maioria entre os dirigentes da federação e garantiu a indicação de Caputo para a candidatura a vice-governador.
Caputo relata disputa dentro da federação
Durante seu discurso na convenção, Michele Caputo confirmou que precisou defender pessoalmente a aliança com Requião Filho durante a reunião dos dirigentes da federação.
Segundo o ex-secretário, a decisão foi tomada por maioria, em uma votação apertada.
“Eu falei lá na convenção… estava na convenção, foi três a dois para nós. Então fui lá para a convenção defender esse apoio”, afirmou Caputo.
A declaração revela que a composição foi definida por uma diferença estreita de votos entre os integrantes da federação.
Ex-secretário questiona favoritismo na disputa
Em seu discurso, Caputo também afirmou que a eleição para o governo do Paraná permanece em aberto e contestou a avaliação de que o candidato apoiado pelo grupo governista já teria vantagem suficiente para considerar a disputa encaminhada.
Na avaliação de Caputo, o candidato que aparece na liderança das pesquisas teria chegado ao que chamou de “teto” e poderia perder força ao longo da campanha.
O ex-secretário afirmou ainda que Requião Filho estará no segundo turno e defendeu que a união das forças de oposição pode alterar o cenário eleitoral.
Aliança fortalece palanque de Lula
Ao explicar sua decisão de integrar a chapa, Michele Caputo destacou o compromisso com políticas públicas e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Caputo afirmou que acompanha Requião desde campanhas anteriores. Também relembrou sua trajetória política no antigo PSDB, citou o ex-governador de São Paulo Mario Covas e afirmou que esteve ao lado de Lula nos segundos turnos das eleições presidenciais, defendendo a união das forças democráticas contra a extrema direita.
A entrada de Caputo também foi avaliada por dirigentes da Federação Brasil da Esperança como um movimento capaz de ampliar o diálogo da candidatura de Requião Filho com setores do centro político e reforçar a ligação da chapa com o governo federal.
Para aliados de Requião Filho, a definição de Caputo representa não apenas o fechamento da chapa, mas também uma vitória política na disputa interna que antecedeu a campanha.
Na avaliação desse grupo, a indicação do ex-secretário da Saúde impediu que articulações de adversários conseguissem isolar a candidatura pedetista antes do início oficial da corrida eleitoral.