Questionamentos sobre suposta emenda de R$ 8 milhões expõem mais um episódio da disputa política da família Francischini por protagonismo
A família Francischini volta a ocupar o centro de uma polêmica política no Paraná. Desta vez, o episódio envolve a deputada estadual Flávia Francischini (PL), o vereador Marcelo Peke (Republicanos) e a discussão em torno de uma suposta emenda de R$ 8 milhões destinada ao Mercado do Peixe, em Paranaguá.
Em vídeos publicados nas redes sociais, os parlamentares questionaram a destinação do recurso. O problema é que o próprio Governo do Paraná veio a público afirmar que não possui registro dessa emenda no orçamento estadual.
A declaração foi feita pelo secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável, Everton Luiz da Costa Souza, que foi direto ao afirmar:
“Importante esclarecer que nós desconhecemos a presença dessa emenda dentro do orçamento do Estado.”
Ou seja: enquanto a discussão política ganhou as redes sociais, o Estado tratou de colocar os números e os registros oficiais no centro do debate.
Mais um episódio na busca por protagonismo
A atuação dos Francischini na política paranaense é marcada por forte presença nas redes sociais e por uma permanente disputa por espaço e protagonismo político. O episódio de Paranaguá agora acrescenta mais um capítulo a essa trajetória.
A crítica que surge diante do caso é simples: antes de transformar uma suposta emenda em discurso político, não seria necessário comprovar oficialmente a existência do recurso?
O Governo do Paraná não apenas negou ter conhecimento dos R$ 8 milhões mencionados como também apresentou uma informação concreta sobre o Mercado do Peixe: o local está incluído em um projeto muito maior de revitalização da orla histórica de Paranaguá, estimado em aproximadamente R$ 46 milhões.
Obra existe — o que não aparece é a suposta emenda
A Sedest esclareceu que o Mercado do Peixe não está esquecido pelo Estado. Pelo contrário. A revitalização integra um projeto de requalificação da tradicional Rua da Praia, com projeto em fase de detalhamento final e licenciamento ambiental já avançado.
A expectativa do Governo é viabilizar os recursos por meio do Fundo Estadual de Infraestrutura Inteligente (FEIIN) e, concluída a etapa técnica, avançar para a licitação.
Assim, o episódio deixa uma situação curiosa: a obra de R$ 46 milhões está no planejamento do Estado, enquanto a suposta emenda de R$ 8 milhões citada pelos parlamentares não aparece, segundo o próprio Governo, no orçamento estadual.
Política também exige documento
A busca por protagonismo político é legítima em uma democracia. O que não pode ser dispensado, entretanto, é a comprovação documental quando se fala em milhões de reais de dinheiro público.
No caso dos Francischini, o episódio se transforma em mais uma oportunidade para a família explicar, com documentos, de onde surgiu a informação sobre os R$ 8 milhões e onde exatamente esse recurso estaria registrado.
Porque, na política, vídeo pode viralizar, discurso pode render manchete e postagem pode gerar engajamento. Mas, quando o assunto é dinheiro público, o que vale mesmo é o documento.
E, até o momento, o que o Governo do Paraná diz oficialmente é que não conhece essa suposta emenda dentro do orçamento estadual.