Deputado do PL, candidato à reeleição e apoiador de Sergio Moro, foi abordado por agentes federais após denúncia envolvendo saque de cerca de R$ 300 mil em espécie na Assembleia Legislativa do Paraná
A dois dias do primeiro turno das eleições de 2026, o deputado estadual Mauro Moraes (PL), candidato à reeleição, tornou-se alvo de uma ação da Polícia Federal na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em Curitiba.
A operação ocorreu após a PF receber uma denúncia relacionada a um saque de aproximadamente R$ 300 mil em dinheiro vivo em uma agência do Itaú localizada dentro da sede do Legislativo estadual. Segundo reportagens publicadas nesta sexta-feira (2), os investigadores apuram movimentações financeiras consideradas atípicas e verificam a eventual relação dos recursos com crimes eleitorais.
A ação foi autorizada pela Justiça Eleitoral, e o processo tramita sob sigilo. Também há relatos de que agentes federais teriam realizado diligências em um endereço ligado ao deputado.
O episódio chama atenção também pelo discurso adotado pelo grupo político do parlamentar durante a campanha. Mauro Moraes é apoiador de Sergio Moro, candidato do PL ao governo do Paraná, cuja campanha tem apresentado o combate à corrupção e ao crime como algumas de suas principais bandeiras.
Em entrevistas e programas eleitorais, Moro tem defendido medidas de combate à corrupção, incluindo a criação de uma Agência Estadual de Combate à Corrupção, além de propostas para enfrentar organizações criminosas e ampliar a segurança pública no Paraná.
É justamente nesse contexto que a operação envolvendo um dos candidatos do grupo ganha repercussão política. O deputado, que durante a campanha se apresenta associado a um discurso de combate à criminalidade e defesa da integridade na vida pública, agora precisa prestar esclarecimentos sobre a investigação conduzida pela Polícia Federal.
Até o momento, entretanto, a existência da operação e da investigação não significa que Mauro Moraes tenha sido condenado ou que tenha cometido crime. A apuração ainda está em andamento, e o processo eleitoral é sigiloso. A origem e a finalidade dos recursos mencionados nas denúncias deverão ser esclarecidas no decorrer da investigação.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o próprio deputado teria afirmado aos policiais que o dinheiro tinha origem lícita e estaria declarado no Imposto de Renda.
O caso coloca em evidência uma contradição que deverá ser explicada ao eleitor: de um lado, o discurso de campanha baseado no combate à corrupção e ao crime; de outro, uma investigação da Polícia Federal envolvendo movimentações de grande quantidade de dinheiro em espécie, às vésperas da eleição.
Caberá agora à investigação esclarecer a origem, o destino e a finalidade dos recursos, bem como eventual existência de crime eleitoral. Até que isso seja concluído, qualquer responsabilização criminal definitiva seria prematura.